quarta-feira, 4 de maio de 2011

Conheça mais sobre os brasileiros investindo em Miami

35% dos apartamentos do luxuoso Edifício Jade Ocean, em Sunny Isles, foi comprado por brasileiros.

Por Marisa Arruda Barbosa

A região, mais precisamente Miami, tornou-se nos últimos anos um centro cosmopolita, que tem agradado tanto brasileiros de alto padrão que procuram investir, passar férias, ou mesmo para companhias que sentem que chegou a hora de expandir internacionalmente.

Quem é esse brasileiro que está vindo para o sul da Flórida? Perguntamos para diversos especialistas que têm trabalhado diretamente com eles, e a resposta é unânime: são da classe alta no Brasil, muitos deles sendo donos de construtoras, por exemplo, que procuram Miami como um lugar de veraneio, para uma segunda, terceira, quarta, ou mesmo quinta casa.

“Esse ‘boom’ é na verdade um repeteco da década de 90”, conta Ricardo Dunin, fundador e presidente da Flagler Group, empresa atuante no desenvolvimento de projetos imobiliários de diversos segmentos. “Nos anos 90, 40% das vendas no mercado imobiliário eram para brasileiros. Depois isso foi secando, e nos últimos dois anos voltou com força”.

De acordo com Dunin, a presença de brasileiros agora se deve a três fatores: o brasileiro está ganhando mais, seu real vale mais dólares, e o terceiro fator é um que chama de “psicológico”: a alta nos preços do mercado imobiliário no Brasil faz com que o brasileiro compare e ache os preços uma “barganha” no sul da Flórida.

No entanto, poucos desses brasileiros são imigrantes. Eles vêm visitar. Nos anos 90, uma parte imigrava, de acordo com Dunin. “Hoje é quase o contrário, os brasileiros imigrantes estão voltando”. Com isso, o mercado imobiliário ganha força novamente. Tanto que a companhia imobiliária Fortune International abriu um escritório no Brasil em outubro do ano passado e se uniu à brasileira Artefacto – que já tem três lojas de decoração e design no sul da Flórida – para decorar um apartamento modelo luxuoso no edifício Icon Brickell, em Miami.

As áreas onde brasileiros mais estão comprando são Aventura, Brickell, South Beach e Sunny Isles. Brasileiros compraram 35% dos apartamentos no edifício Jade Ocean, em Sunny Isles, e 25% em Icon Brickell e Mandarin South Beach.

A brasileira Hello Campos é uma das corretoras da Fortune International, e está liderando nas vendas do Icon Brickell, de acordo com o escritório de relações públicas da Fortune International.

De acordo com Campos, 40% das vendas de imóveis em Miami tem sido para brasileiros. “Miami tem se tornado um centro completo onde brasileiros se sentem cosmopolitas”, avalia. “Os museus, as apresentações de danças e eventos como o Art Basel oferecem uma experiência única, além da praia, é claro”.

Campos conta que dificilmente vende algo por menos de meio milhão de dólares, mas existem studios em Icon Brickell com preços a partir de 250 mil dólares.

“Existem dois tipos de brasileiros que compram, um para investimentos e outro para uma segunda casa”, explica. “Hoje mesmo vendi um studio de 260 mil para um jovem casal de brasileiros que decidiu investir”.

Apesar de não estar no mercado imobiliário há muito tempo, Campos já teve um programa de TV a cabo chamado “Hello Hello TV” e trabalhou por muitos anos no Brasil como diretora de marketing da Mitsubishi Motors, onde construiu um grande “network”. Por esse motivo, brasileiros já vêm com o contato dela para ver apartamentos. “Os preços nunca estiveram tão baixos e nunca vendemos tanto”.

Cláudio Faria, diretor da Ornare Miami, luxuosa grife brasileira de armários, cozinhas e banheiros, diz que foi uma ideia feliz expandir a marca para Miami em 2007 como o primeiro passo internacional. A Ornare foi fundada em 1986 e está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Cerca de 25% dos clientes da empresa em Miami, em 2010, foram brasileiros.

“Nós não viemos aqui atrás dos compradores brasileiros, mas pelo desejo de expandir a marca, e oferecer o serviço brasileiro para clientes do mundo inteiro que moram aqui”, conta Faria. “E desde que abrimos estamos agradando muito, e competindo de igual para igual com italianos e alemães, que são fortes nesse mercado”.

Faria avalia que os brasileiros prestadores de serviço estão fazendo o diferencial pela combinação de profissionalismo e proximidade com o cliente. “Além de sermos impecáveis, tem o fator emocional que conquista”, disse.

A decoradora Cristiana Souza, dona do Avant Group Desgin, diz que nos últimos dois anos, 90% de sua clientela tem sido de brasileiros de alto padrão de toda a parte do Brasil, que compram propriedades de no mínimo 1 milhão de dólares, em Sunny Isles e Brickel Key, por exemplo. “Já
trabalhei até com um goiano que recentemente comprou uma propriedade de 13 milhões”. Ela conta também que a maioria das companhias americanas também envolvidas com decoração têm trabalhado mais com brasileiros.

“Os brasileiros têm sido tão bem vindos aqui, que quando se faz uma reserva no restaurante Zuma dizendo que é brasileiro, você tem atendimento preferencial”, disse Souza, referindo-se à quantidade que brasileiros têm gastado no comércio local.

Um dado importante também, é que Souza vê muito pouco político investindo aqui. “Vejo mais ‘novo-rico’, dono de construtora e empresa de segurança, por exemplo”, disse Souza. “Eles trazem dinheiro limpo. Penso que está ficando cada vez mais difícil enviar dinheiro sujo para fora do Brasil”.
Quem tem filhos, vem mais em época de férias no Brasil, se não, eles vêm mais ou menos a cada dois meses.

Financiamento

De acordo com Campos, o brasileiro não precisa ter história de crédito para comprar nos EUA, basta uma boa referência dos bancos no Brasil. É necessário que se dê 30% de entrada, e o restante pode ser financiado em 5, 15 ou até 30 anos, com juros, respectivamente, de 3.8%, 4.3% e 4.8%. “Eu nunca vi um financiamento ser negado até agora, em um ano que trabalho com isso”.

Compras

Mesmo se não vem comprar apartamentos e fazer grandes investimentos, brasileiros de diferentes classes sociais estão lotando os shopping centers da região. Dada a demanda, tanto a American Airlines quanto a TAM adicionaram novas rotas de voo direto entre Brasil e Miami.

Maisar Sasa, que tem lojas de calçados há 21 anos no sul da Flórida, incluindo no Sawgrass Mills, no Aventura Mall e Dolphin Mall, disse que tem visto nesse ano e no ano passado, que brasileiros que antes gastavam $500 agora estão gastando mil ou $1.500. “Eles agora compram para eles, para os amigos, a família, o vizinho”, conta. Como suas lojas têm as marcas de tênis famosas, como Nike, Puma, Diesel, La Coste e Polo, que no Brasil custam muito caro por causa dos impostos, acabam se tornando a primeira parada na rota dos turistas.

“Graças a Deus que têm os brasileiros”, exclama Sasa. “Antes, víamos somente paulistas e cariocas, mas agora vemos gente do Brasil todo”.

Sasa analiza que isso se deve à queda do dólar e ao aumento da classe média. “Acho que não vem mais porque não tem voo suficiente do Brasil. Vem tudo lotado”, diz. “Está tudo vazio no shopping, até que algum funcionário diz que chegou um ônibus de brasileiros. Daí lota tudo”. Mas Sasa acrescenta que metade das famílias alugam carro para ir fazer compras.

O que falta

Enquanto Campos acha que o brasileiro não sente falta de nada ao chegar em Miami, Dunin quase concorda, mas arrisca dizer que a diferença na disposição de mão-de-obra entre Brasil e EUA pode ser sentida. “Um brasileiro de alto padrão poderia sentir falta de ter três marinheiros no barco, o que aqui é diferente do Brasil”.

Já Faria avalia que o brasileiro que vem para cá pode sentir falta da
personalização de serviços que os fariam sentir mais acolhidos.

Campos também exalta que o personalismo com que cuida de seus clientes é o que faz a diferença. “Eu os levo para jantar, apresento para decoradores. Eu até dou meu endereço para receber entrega de compras”, conta.

Já Sasa diz que a única coisa que vê o brasileiro reclamando nos shoppings é da comida. “Eu os vejo falando: ‘Poxa, não tem um pão na chapa ou pão de queijo’”, conta Sasa.

Fonte: http://www.gazetanews.com

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